quinta-feira, 6 de março de 2014

Pessoa com surdez:educação e inclusão




                    



Quando nos reportamos a educação da pessoa com surdez, muitas vezes ficamos presos a questões referentes a língua, que está na contramão da perspectiva inclusiva visto que separa as pessoas com surdez das ouvintes, e deixamos de tratar de questões muito mais importantes, como a utilização de práticas educativas que propiciem o desenvolvimento de suas potencialidades.
As questões referentes a língua devem ser debatidas, contudo não podem ser o foco das discussões, é preciso também romper a dicotomização entre oralistas e gestualistas e nos atentar a concepção pós-moderna, cuja tendência é o bilinguismo.
“Porém, ao pensar a abordagem bilíngue para a educação linguística da pessoa com surdez, deslocamos o lugar especificamente linguístico e a tratamos com outros contornos: a LIBRAS e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual, interacional e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica”. (DAMÁZIO; FERREIRA, 2010, p.49)
No que se refere a questão da potencialidade, o interesse é desmistificar o problema biológico, a deficiência, e centrar-se no potencial que esse ser humano tem, estimulando-o nos aspectos cognitivos, culturais, sociais e linguísticos, para que possa adquirir e produzir conhecimento.
“Por isso, é necessário discutir que, mais do que uma língua, as pessoas com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. Obviamente, são pessoas que pensam, que raciocinam e que precisam, como as demais, de uma escola que explore suas capacidades, em todos os sentidos”. (DAMÁZIO; FERREIRA, 2010, p.50)
Para tanto o foco das discussões deve ser a transformação da escola  e de suas práticas pedagógicas excludentes e nesse movimento inclusivo compreendemos a importância do Atendimento Educacional Especializado para a pessoa com surdez, como meio de complementar o trabalho realizado na sala comum, visando a autonomia e a independência, em todos os  aspectos, da  pessoa com surdez.
Esse atendimento deve ser organizado em três momentos distintos: o Atendimento Educacional Especializado em Libras, o Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras e o Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa. Deve ser desenvolvido numa perspectiva inclusiva, tendo como ponto de partida a potencialidade e a capacidade humana e como objetivo principal o desenvolvimento e a aprendizagem do aluno. Nesse sentido, é adotada a Pedagogia Contextual Relacional que de acordo com Damázio(2005), tem como sentido formar o ser humano através de contextos significativos, procurando desenvolvê-lo em todos os aspectos possíveis, levando em consideração as vivências contextuais relacionais que o ser humano experimenta em sua evolução. Desse modo, o aluno com surdez, se sentido situado, passará a compreender mais facilmente os conteúdos estudados. É um ambiente no qual o aluno aprenderá a aprender, a partir da compreensão dos conhecimentos através de novas práticas, estratégias e recursos pedagógicos, para isso aplica-se a metodologia vivencial.
“Para efetivar o cotidiano escolar do AEE PS, aplicamos a metodologia vivencial, que leva o aluno a aprender a aprender. Essa metodologia é compreendida como um caminho percorrido pelo professor, para favorecer as condições essenciais de aprendizagem do aluno com surdez, numa abordagem bilíngue. Nesse sentido, o professor do AEE PS, na condição de autoridade, para gestar e com responsabilidade para construir o ambiente da aprendizagem para esse aluno, busca métodos, escolhendo os melhores procedimentos e recursos para operacionalização da aula especializada”. (DAMÁZIO; FERREIRA, 2010, p.53)
Todo o trabalho realizado no AEE PS busca preparar a pessoa com surdez para viver a sua individualidade e a sua coletividade, visando a superação de limitações através das potencialidades, em prol de uma sociedade mais humana, que respeite a sua própria condição plural.

Referência Teórica:
Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar. Fascículo 05: Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção, p. 46-57.

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