O
aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA), geralmente possui, muita
dificuldade na comunicação e linguagem, tanto na expressiva quanto na
receptiva. “Os déficits na comunicação e no desenvolvimento da linguagem estão
presentes no autismo como parte da tríade que caracteriza a síndrome, mas sua
intensidade e gravidade variam desde a ausência de fala até a fala
hiperformal”(WING, 1998 in BEZ, 2014). Além disso, existe também a necessidade
de uma rotina organizada, de modo que possa antecipar as atividades que serão
realizadas, se preparando para as mesmas.
“Quanto
mais cedo a criança com TGD puder antecipar o que acontece diariamente na
escola, mais familiar e possível de ser reconhecida se tornará para ela a
vivência escolar, tornando as primeiras manifestações da criança
progressivamente menos freqüentes. Tendo em vista que a capacidade de antecipar
é uma função que se apresenta prejudicada para aqueles que apresentam TGD,
consiste em facilitador da familiarização com o ambiente escolar essa
antecipação, com ajuda de outra pessoa” (BELISÁRIO FILHO, 2010).
Neste
sentido, focalizamos na comunicação e linguagem e no comportamento, pensando na
importância da construção de uma rotina na sala de aula, através da comunicação
alternativa, como meio de informar ao aluno com TEA a sua “agenda diária”, com
o passo a passo explicado através de gravuras coladas em (EVA), visando
facilitar a compreensão da mesma. No topo deverá ser colocada a foto do aluno e
seu nome.
Para
tanto, deverá ser fixada na parede da sala de aula regular e o próprio aluno
deverá gerir o seu andamento, retirando e guardando em local apropriado a
gravura indicativa da atividade que será realizada. Depois da execução desta, observará
a atividade seguinte, passando então para a sua realização, e assim por diante.
“No
caso de sujeitos com déficits de comunicação, para que ocorra o
desenvolvimento, há estudos, como o de Bez (2010), que evidenciam que o uso de
estratégias de mediação acrescido da utilização da comunicação alternativa e
recursos de alta e baixa tecnologia proporcionam aos sujeitos com Transtornos
Globais do Desenvolvimento (TGD) um aumento de sua interação social e da
ampliação da comunicação” (BEZ,2014).
Esse
tipo de atividade, que utiliza materiais de CA de baixa tecnologia,
representados por signos gráficos elaborados por meio de figuras (fotos e
gravuras) e organizados em forma de rotina, além de dar mais autonomia ao aluno
no gerenciamento de suas atividades, confere ao mesmo um maior nível de
estabilidade, obtido através da previsibilidade dos acontecimentos que estão
por vir.
“Proporcionar
uma forma de CAA para pessoas que não conseguem se expressar através da fala
e/ou escrita tem como conseqüência a melhora de sua qualidade de vida,
proporcionando-lhes uma maior autonomia, aumentando sua auto-estima e
dando-lhes uma oportunidade de sentirem-se num nível de maior igualdade na
sociedade. E, portanto permitir sua inclusão escolar e social”(BEZ,2009)
Esse
trabalho pode e deve ser realizado também em outros ambientes da escola, como
na sala do AEE, assim como também no local onde o aluno reside, com sua rotina
doméstica. Ela pode mostrar a sequencia de diversos tipos de atividades, assim
como o seu passo a passo.
No
início, o professor do AEE deve mostrar cada figura, depositar a mesma junto
com o aluno no local adequado, e ainda auxiliando-o, realizarem a atividade que
cada uma representa. Com o tempo, o aluno compreenderá o processo e conseguirá
fazer sozinho, pois não precisará mais desse tipo de apoio. “Finalmente para
que o sujeito possa aprender um novo sistema de comunicação é necessário tempo,
paciência, encontrar-se numa via de aprendizado, com objetivos concretos e bem
estabelecidos, pois dessas estratégias vai depender o sucesso da intervenção”
(BEZ,2009).
Posteriormente,
se estiver alfabetizado, as gravuras poderão ser trocadas por frases curtas e a
fotografia com o nome do aluno poderá ser substituída apenas pelo seu nome.

Referências:
Transtorno do Espectro
Autista – Maria
Rosangela Bez. In: Sistema de
comunicação alternativa para processos de inclusão em autismo: uma proposta
integrada de desenvolvimento em contextos para aplicações móveis e web. Tese
(Doutorado em Informática na Educação) – UFRGS – Programa de Pós-Graduação em
Informática na Educação. Porto Alegre, 2014 (09 páginas).
BELISIÁRIO
FILHO, J. F.; CUNHA, P. Coletânia UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar – Fascículo
9: Transtornos Globais do Desenvolvimento.
BEZ, M. R.;
PASSERINO, L. M. Applying Alternative
and Augmentative Communication to an inclusive group. IN: WCCE 2009 –
Education and Technology for a Better Worldn Monday, 2009, Bento Gonçalves –
RS. WCCE 2009 Proceedings – Education and Technology for a Better World Monday.
Germany: IFIP WCCE,
2009. V. 1. P. 164-174. Traduzido. Aplicando
a Comunicação Aumentativa e Alternativa numa turma inclusiva.
BEZ,
Maria Rosangela. Linguagem e Comunicação.
IN: Curso de Atendimento Educacional Especializado. Disciplina: AEE E TGD.
2014.