O texto “o modelo dos modelos” do
autor Italo Calvino, retrata um senhor chamado Palomar, que buscava construir
na sua mente um modelo perfeito e caso através de suas análises, percebesse que
o mesmo não se adequava a realidade, realizar as correções necessárias. Mas
acabou percebendo as imperfeições humanas. Então passou a construir na mente
vários modelos diferentes, para que através de combinações encontrasse o que
melhor se adaptasse as também distintas realidades. Por fim percebeu que
modelos e modelos de modelos não existem e que o ser humano não pode ser
padronizado.
Realmente o ser humano é imperfeito,
não existe um modelo de perfeição, cada um é de um jeito e na sua imperfeição
se encontra a plenitude. Todos nós temos limites e habilidades, sendo que as
nossas habilidades devem ser utilizadas como ferramentas para superar nossas
limitações. Não somos compostos nem apenas de limitações, nem apenas de
habilidades, mas das duas juntas, num só corpo, numa só pessoa.
Não devemos, portanto, nos ater nem
somente as limitações, nos sentindo inferiores, nem as nossas habilidades, nos
sentindo melhores que os outros. Devemos saber, que como seres humanos
imperfeitos, somos dotados de ambas e devemos perceber isso também nos outros
que nos rodeiam e formam junto conosco um mundo perfeito nas suas imperfeições,
onde cada um busca individualmente superar seus limites, e, coletivamente
auxiliar na superação dos limites do outro, sempre voltados para as capacidades
individuais e coletivas.
Todos nós apresentamos ou poderemos
apresentar algum tipo de deficiência em algum momento de nossa vida, podendo
ser essa física ou mental. Contudo não poderá essa deficiência direcionar os
caminhos que nossa vida tomará. O ser humano é complexo, é plural, sua
capacidade de superação é ilimitada e por isso não pode ser determinada por
nenhum tipo de exame ou especialista, seja esse de que área for.
Por conta disso, as pessoas que
participam do Atendimento Educacional Especializado (AEE), não podem também ser
rotuladas de acordo com as deficiências presentes em seus diagnósticos. Esses
devem apenas proporcionar um direcionamento, um tipo de trabalho mais
apropriado e necessário a ser utilizado, mas de forma alguma poderá indicar o
que determinado indivíduo poderá ou não realizar e até onde poderá chegar.
Para tanto, devemos observar as
habilidades de cada pessoa atendida e de acordo com as mesmas, possibilitar que
essas evoluam cada vez mais. Não existe um limite já fixado, visto que esse
limite pode e deve ser constantemente superado, através de um trabalho sério,
pautado nas respostas de cada indivíduo aos estímulos que forem recebendo. O
limite? Esse não existe!
Nos estudos da ciência médica, são
apontados e registrados muitos mistérios. Esses são produzidos devido a imensa
capacidade do ser humano se superar, de se reinventar. É a capacidade de
acreditar no potencial do ser humano que nos instrumentalizará, como
professores do Atendimento Educacional Especializado, a auxiliar o
desenvolvimento dos que são atendidos pelo AEE e que precisam de um incentivo,
de um acreditar, de um trabalho bem direcionado, para abrirem suas asas e
começarem a voar.
Referencia:
CALVINO, Italo. O modelo dos modelos. Texto
impresso Curso de Formação Continuada de Professores para o AEE Versão 2013.
UFC/SECADI/UAB/MEC. Impresso em junho de 2014.
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